“Férias de mim!”
por Vinicius Braga, sexta-feira, 26 de dezembro de 2008 às 9:48
Você já tirou férias de você mesmo? Se não, você deve começar a pensar sobre isto.
O que acontece hoje é que nos tornamos escravos também de um sistema de auto-promoção, e que existem até revistas especializadas neste tipo de auto-escravização (imolação?), e não nos damos conta como isto absorve-nos, afundando a nossa percepção e relações pessoais num pragmatismo insalubre para o nosso espírito.
Mas este não é o meu caso até agora, fui criado para uma abnegação ao trabalho evitando a promoção pessoal. Nada como a doutrina familiar, baseada em veios religiosos, para formar um ser escondido e com baixa auto-estima (Receita mais do que perfeita para o controle das pessoas e o fomento do consumismo).
Mas então, nestes 30 dias que se passaram, trabalhei sem trabalhar, conversei sem conversar, respondi sem responder. E o resultado é, infelizmente, o mesmo do que nas tantas vezes outras que eu respondi, eu conversei e eu trabalhei.
Então, o que Sou não altera em nada as pessoas ao meu redor. Não inspiro nada, não transformo nada, e na verdade estou tão estagnado quanto o fundo de uma lagoa represada, enquanto tento seguir este mantra contemporâneo de se atualizar o tempo todo.
Na verdade, estar atualizado continuamente é o “meio copo cheio” do Copo da Absolescência. E desta água bebemos e somos escravos, sem perceber a ilusão de quem nos oferece esta água e como somos manipulados para adquirí-la.
A busca pelo ineditismo nos faz iguais sempre: criando novas barreiras simbólicas (carros, gadgets, relógios, roupas…), novas castas, novos grupos com os seus privilégios.
As minhas férias acabaram revelando o quanto não sou eu, e que sigo um rio que sempre desagua nele mesmo, sem encontrar o seu mar.
Que no final deste ano de 2008 do Calendário gregoriano, não se renove este caminho, mas que surjam outros criados por mim mesmo, da minha própria fonte, e que floresça ipês-amarelos que inspirem outros em sua busca pessoal.
Beijos para todos.