Consumidor plástico
por Vinicius Braga, domingo, 12 de agosto de 2007 às 10:33
Não sei quem criou o termo consumidor, em tempos de internet uma pesquisa rápida resolveria, mas eu declaro, o fim do Consumidor-consumidor é inexorável.
Inexorável, que palavrão! No entanto, as condições da existência desta figura (até jurídica, ela é conceituada no Código do Consumidor1) em nossa sociedade se modificará, e devemos ter em mente o impacto na cadeia produtiva e como as empresas brasileiras deverão se adequar a esta realidade próxima.
Alguns movimentos já ocorrem com alguns países europeus responsabilizando as empresas em recolher o descarte depois do uso do seu produto por usuários, como baterias de celular. E neste ponto, os Estado Unidos parece longe de responsabilizar suas empresas com isto (posso estar enganado). Mas aconteceu um fato interessante na terra do Tio Sam, e espero que isto ganhe corpo: A mobilização contra a venda de água engarrafada2.
Parece bobo, mas vemos ai como a sociedade americana pode perceber com clareza as coisas que estão acontecendo com ela, e a solução de um mundo mais responsável ambientalmente, passa por esta consciência dos consumidores americanos. Eles são os alvos preferenciais das empresas americanas e estrangeiras na venda de seus produtos, por mais que isto esteja ameaçado atualmente (o NYTimes apresenta movimentos contrários a isto no texto: Retailers Report Sluggish July Sales).
Da mesma maneira como a “consciência de culpa” se abate sobre qual foi o custo ambiental da entrega daquela garrafa d´agua ao consumidor, o petróleo necessário para sua fabricação, o gasto no seu transporte e consumo de energia na sua refrigeração, haverá a necessidade do ser humano pensar desta maneira para cada produto que deseja possuir, pensando na sua real utilidade e no impacto disto para o planeta Terra. Parece utópico hoje, mas isto já acontece e soluções “on-demand” e de logística atuais serão consideradas soluções infantis para um sociedade deste grau de consciência ambiental.
Em um devaneio da visão deste futuro, veremos descriminado em nossas notas de entrega, os graus de poluição eventualmente originados da produção e entrega daquele produto em nossas casas. Saberemos o quanto prejudicamos no planeta Terra no ato de nossa compra.
Um fato adormecido nesta discussão na midia é a escasses de matéria prima para produzir os “bens de consumo” que alimentam esta engrenagem econômica. Isto será determinante na ampliação desta consciência, por que senão, os grandes capitas irão pressionar seus países de origem na tomada e expolição de países que ainda possuem esses bens naturais. Novas guerras por minérios, petróleo e água serão travadas, mas agora com as devidas razões elevadas e honradas de proteção da segurança nacional e ajuda humanitária aos países, levando a democracia servilista a estas novas colônias.
1 ver O conceito de consumidor no direito comparado , de Plínio Lacerda Martins, um texto esclarecedor sobre o termo Consumidor e Fornecedor do nosso Código.
http://jus2.uol.com.br/doutrina/texto.asp?id=691
2 ver Water, Water Everywhere, but Guilt by the Bottleful por Alex Williams, NYTimes.
http://www.nytimes.com/2007/08/12/fashion/12water.html
3 ver Retailers Report Sluggish July Sales, NYTimes, http://www.nytimes.com/aponline/business/AP-Retail-Sales.html
Tomara que isso realmente aconteça. Já estamos vendo movimentações sobre isso, mas na minha opinião, ainda são muito poucas.
Gostei muito da sua reflexão!!!
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