Twitter: A fragmentação final do intelecto
por Vinicius Braga, quarta-feira, 7 de outubro de 2009 às 0:35
A atomização da nossa sociedade pode ter razões reconhecíveis nos agentes econômicos e de propaganda, mas o interessante, é quando uma manifestação como o Twitter amplifica este processo de maneira “invisível”.
Andei utilizando o Twitter nestes últimos meses e venho percebendo um processo de regressão da minha capacidade de ler textos mais elaborados.
É como se ocorresse um processo de ansiedade quando inicio uma leitura prolongada, seria o costume da leitura de textos curtos?
Posso estar enganado, certamente, mas isto tem um tipo de paralelo com a televisão, na qual existe um processo hipnótico na sua audiência1. Com o surgimento do VideoClip e a MTV, a fragmetação hipnótica se estabelece de vez em nossa cultura urbana e ninguém mais questiona isto. No caso dos programas cliente do Twitter, eles provocam um processo de ansiedade e prazer a cada minuto que você recebe ou é mencionado no Twitter (ser mencionado se torna uma recompensa, como um biscoito para o cachorrinho).
Toda vez que você escreve, você fica esperando ser mencionado (retweet) por alguém? Esta sensação em conjunto com o recebimento de novos micropost a cada minuto, fazem parte de um processo aditivo.
Sou contra o Twitter? Não.
Mas devemos estar atentos em como as novas tecnologias estabelecem padrões de comportamento ou “se encaixam” em nossa sociedade, e isto é uma vantagem estratégica na criação de novos produtos.
E você ? Tem o Twitter influenciado em seu costume de leitura ou comportamento?
Referências
1 A mídia – interferências sobre o aparelho psíquico. Um artigo (em PDF) de David Léo Levisky, que apresenta uma reflexão esclarecedora sobre a televisão e como ela absorve a nossa atenção, não apenas como curiosidade, mas como um sistema hipnótico. http://www.davidleolevisky.com/