Distopia

O que pensar dos últimos dias na América

Faz um bom tempo que não escrevo por pura falta de motivação. Quando vejo as coisas acontecendo, fico pensando que existe mais vida se não pudesse vê-las de todo.

Mas quem imaginaria que um dia veríamos a figura do presidente americano tomar lugar na televisão, para dizer que o governo iria proteger os saques, de até determinado valor, para a população americana que está acordando na madrugada para ficar em fila de bancos, com medo das falências das instituições financeiras americanas. América está se tornando uma republiqueta aos moldes que ela fabricava na américa do sul.

A economia americana está ruindo, e aquela história que eu brincava de somente me chamarem quando começarem a vender os porta aviões nucleares para pagar suas dívidas, está se tornando sério e sem graça agora.

Seria um sinal, a venda de uma base militar americana para a montagem da primeira fábrica de automóveis da Volkswagem nos EUA? Será que a minha previsão grotesca de um país sem dinheiro para retirar a sua tropa do Oriente Médio, irá acontecer? E na ironia dos fatos, eles pedirão ajuda humanitária do Crescente Vermelho e ao Irã para transportar em segurança?

No real, apenas se vê uma mudança silenciosa para enfrentar esta nova realidade escondida e só vista nos jornais de expressão local. Cidades pequenas estão começando a cotizar e financiar fazendas de sua região para produzir a comida para aquela localidade1. Isto é uma revolução silenciosa, tendo em vista que nenhuma empresa capitalista irá fazer atos de bondade para esta população.

Assim funciona o capitalismo, ele investe e desenvolve apenas onde ele sabe que irá dar retorno do seu investimento. O que parece óbvio cria situações paradoxais, como o que acontecia na região da cidade de Nova York. Dois anos atrás, eu li uma reportagem falando que as companhias de banda larga não investiam nas pequenas cidades porque ela não renderiam o mesmo lucro como nos grandes centros populacionais. Os investimentos em cabos de fibra ótica e outras formas de transmissão não retornariam em curto prazo, e por isto, as companhias americanas deixavam a população apenas com a internet discada, como acontecia há dez anos atrás.

Então é isto, se o cidadão americano não tomar pulso do seu próprio destino econômico, e se deixar capitanear pelas corporações e interesses particulares, a américa passará por um processo de esfacelamento institucional, que rapidamente irá caminhar para uma guerra civil com a dissolvimento da unidade nacional, que institucionalmente já não existe, afinal cada estado legisla sobre ele mesmo.

1 Cutting Out the Middlemen, Shoppers Buy Slices of Farms http://www.nytimes.com/2008/07/10/us/10farms.html

2 *Not Always Full Speed Ahead * http://www.nytimes.com/2006/11/18/technology/18broadband.html

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