Como estamos no início do Séc XXI?
por Vinicius Braga, sexta-feira, 25 de janeiro de 2008 às 15:00
Vivemos num período de desafios encobertos. Nós convivemos com o crescimento desagregador e em estágio derradeiro sobre o nosso meio ambiente, enquanto colocamo-nos como vítimas.
A mensagem é curta, assim sobra tempo para pensar.
O equilíbrio nas forças da natureza é intuído pelo homem desde sempre. Este princípio é tão evidente, que ele é recorrente em nosso imaginário simbólico, veja o caso do Yin e Yang. Ele está alí para simbolizar a coexistência dos opostos e complementares de um todo.
Hoje, o desiquilíbrio é visível nas pragas sobre a agricultura, no assoreamento dos rios, nas doenças e vírus emergentes, no avanço do mar nas linhas costeiras, e em outras diferentes formas, que deixamos de querer entender. Todas elas conseqüências de nossas ações na tentativa de controlar e usurpar o equilíbrio natural.
Será possível evitar por mais quanto tempo a “natureza e seu equilíbrio”? Porque é isto que fazemos. Alteramos o equilíbrio para o nosso interesse imediato, para matermos uma cultura do consumismo, da alienação, valorizando o desejo inconseqüente e o acúmulo de bens despreocupados do seu descarte.
Este estado alienado de nossa sociedade, alimentado pelo sistema de mercado atual e de propaganda gerando demanda, nos impõem a insatisfação. Ele se alimenta da divisão das pessoas em seus “nichos”; e em alguns casos, ele o cria para poder cultivar esta diferença, esta exclusividade, como uma razão maior para ser indivíduo.
Ser, já é alcançar a individualização. Mas o sistema atual nos envolve, cria um ruído em nossa percepção, e não nos deixa perceber isto.
Estamos desagregados. Idealizamos um bem para nós, sem medir as conseqüências para o próximo e para a natureza.
Como seres vivos capazes de subjugar outros seres vivos no planeta, acreditamos que podemos utilizar o máximo de todos os recursos naturais, mas esquecemos que estamos primeiro extinguindo as nossas reservas éticas neste processo. Utilizamos os recursos do planeta para o bem de poucos, e de forma perdulária.
Vivemos no Séc. XXI pensando como se fôssemos tribos nômades, capazes de migrar para uma nova região após exaurir a atual. Não teremos chance desta maneira, quando a natureza puxar para sí a parte que lhe cabe do equilíbrio natural.
Artigo publicado em 25 de Janeiro de 2008, mas criado originalmente em 14 de setembro de 2006.