Cultura Digital

A morte de um site

Várias vezes nós comparamos um site com um ser vivo. Caso você não tenha lido nada parecido antes, tentarei explicar isto também, mas quero falar mais do fim de um site, quando ele termina e os sintomas de sua falência, mesmo tendo contribuição de seus usuários (comunidade).

Um site tem um ciclo de vida semelhante a de um ser vivo, logo ele tem um fim. Na verdade isto acontece devido a intrínseca relação da existência de um site (blog, forum, portal…), com o interesse das pessoas (usuários) e de seu criador de atualizá-lo. Este ciclo de vida é mais longo de acordo com o grau de renovação dos seus criadores no interesse do site. Neste ponto, não falo da taxa de atualização (a velocidade), mas na atualização com assuntos relevantes para o público do site e o seu criador.

É lugar comum dizer que um site dirigido pela sua comunidade não tem fim, isso não é verdade, mesmo sites com comunidades altamente participativas correm seu risco de serem desligados pelo fim do serviço, como no caso do MSN Groups que deixou milhares de grupos órfãos.

Dos sintomas da falência

  1. O principal sintoma da falência de um site é a utilização diferente de sua idéia original, e com isto, da reclamação de seus usuários mais antigos. A mudança é sempre dita como boa, mas na verdade, isso cria um descompasso do interesse das pessoas com o “novo” site. Um exemplo seria um site de vinhos, ele pode crescer na apresentação de queijos e acompanhamentos, mas isto precisa ser um caminho natural proposto pela comunidade, mas não uma idéia apenas de seus patrocinadores.
  2. Outro sintoma polêmico seria a profusão de assuntos relacionados ao tema básico do site. O site especializado que se transforma em portal, é o fim do site com uma supernova. A necessidade de agradar diferentes níveis de interesses, acaba por afundar o site no pântano da superficialidade de consumo da informação, o que afasta os reais apreciadores daquele tema, causando um fim por falta de contribuição dos usuários mais dedicados ao assunto. O site se transformará em um programa de televisão dirigido por audiência, o que não funciona, porque você tem muito mais “canais” disponíveis na internet.

Alguém já deve estar se coçando em perguntar, e a visitação? Quando ocorre a perda de visitação de um site que passou por estes sintomas, pode fechar a luz e ir para casa. A questão é que neste momento os principais colaboradores e usuários já não estão utilizando o site, e a aqueda na visitação é apenas o reflexo do cansaço do tema por aqueles usuários sazonais do site (Usuários da Moda).

Como reverter

Tem como reverter o problema e reanimar o site? Sim, se existe ainda interesse dos seus criadores para isto.

A principal técnica de reverter seria remodelar o site no foco inicial (como tudo começou) mas isto é tão impensável para as pessoas em comando, que se torna impossível a sua execução. A primeira pergunta é, pra onde vai todo aquele conteúdo co-relacionado. Hum… ninguem quer se livrar dele, mas prefere fazer um remodelamento estético, empurrando com a barriga até o site definhar para a morte. Assuntos periféricos são que nem lixo radioativo, ele mata aos poucos o foco e o próprio site.

última palavra sobre atualização.

Você pode colocar um novo artigo a cada 5 minutos num site, mas isto não determina uma maior longevidade do site, ao contrário, na minha opinião isto cria condições arriscadas e frustrantes que podem rapidamente encerrar com o interesse da produção de conteúdo, e com isto, o próprio site se encerra como um fósforo.
Você pode pensar que um site de notícia não corre este risco, afinal existem vários profissionais trabalhando nele como um jornal, mas já vou adiantando, este princípio, em minha opinião funciona inclusive para o G1, The NewYorkTimes Digital, YouTube, qualquer site!

É isso pessoal. Sem medo de contrariar esta idéia, comente! :)

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